quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

As gerações e a liberdade


"Mas essa geração está muito libertária, perdida, inconsequente e revoltada."


Sim, tem muita verdade nesses rótulos dados à minha geração e às posteriores, pelas gerações anteriores.

Gerações de nossos irmãos/irmãs, pais/mães, primos/as, tios/as, avôs/avós, que fizeram parte dos anos passados do século XX, já ditos "velhos tempos", que muito se diferem dos tempos atuais - dos anos 2000 em diante. Anos vistos (por uma parcela) como tempos cada vez "piores" e mais "difíceis" por nossos parentes, com mais idades e mais experiências do que nós - reles mortais de entre 15 e 30 anos e que "sabem pouco da vida".

Mas será que estamos tão errados assim?
Quem tem a razão nesta disputa de certezas e verdades, entre as gerações e seus tempos históricos?

Chamo agora à reflexão, visto que essas rotulações tem feito parte de calorosos debates e pensamentos que tem vindo à tona no campo individual/particular e no sociopolítico, e consequenetemente, tem influenciado nossas vidas em todas as dimensões, quanto o que se define como CERTO e ERRADO. Principalmente no que diz respeito à essa intensa, contraditória e difícil arte de viver - para a maior parte da população, claro - retiro aqui a minoria privilegiada que não necessita se preocupar com isso. Embora acredite que mesmo os grandes bilionários tem de se preocupar com os seus filhos/netos e sobrinhos que acessam outros conhecimentos "vermelho-socialista-gayzista-feminista" na internet, na escola e em seus circulos sociais e "saem do eixo" para eles planejado (daí o ataque direto aos modelos políticos e instituições educacionais democráticas - "estão dando muita liberdade!").

Contudo, ademais das relações de classe, gênero, raça e sexo com as quais nos deparamos e promovem a diferenciação de direitos e deveres bem diferenciados para uns e outros, temos uma real questão geracional que perpassa todas as discussões das mesas de cafés, almoços e churrascos de família - o da LIBERDADE.

É... da liberdade. Parece bonita e aceita esta palavra. Mas não é. E receio que seja ainda "pior" que todas as que levantamos no parágrafo anterior. Me refiro aqui, a LIBERDADE em todas as suas esferas. De ser, viver, amar, estar, fazer, não fazer, falar, não falar, querer e não querer. É essa liberdade atrelada à revolta, que assusta profundamente as gerações anteriores e as fazem rejeitar estes tempos. Cheios de maldade, desigualdades e problemas que não superamos e aumentaram em diversos aspectos, é verdade (mas também diminuíram não?). Mas por que a liberdade, que não deveria ser um problema, assusta tanto, quando refletida nos atos da atual "geração perdida"? 
Somos de fato "uma geração problema", por isso?

Temos muitas razões envolvidas para os conflitos com os tios da família...
Mas quero aqui refletir sobre algumas.

Do ponto de vista religioso. Vemos que muitos dos nossos familiares, não foram se quer permitidos a conhecer outra religião fora as que imperavam no seu sistema familiar. Quem era católico, tinha que ser pra sempre e honrar a reprodução familiar e educar os filhos assim. Evangélicos, salvo as diferenças das organizações, igualmente. Desenvolvendo sérias restrições e perseguições aos que "saíam da linha" da evangelização. Espíritas, poderia caminhar um pouco mais livremente, mas ainda assim, sofriam represálias quando iam conhecer algumas religiões, ditas"menos evoluídas" ou mais "pretas e africanizadas", como Umbanda e Candomblé, "coisa de macumbeiro", mas hoje sabemos que isso está repleto de preconceito racial. "Buda? "quem é esse? toma vergonha". Então, claro, uma geração que chega e diz que cada um pode acreditar no Deus, Buda, Oxalá, Mãe-Terra, Tupã, Jeová que quiser OU NÃO (ateus), crendo na LIBERDADE de escolha, devoção e associação religiosa que bem entender, é assustador.

Do ponto de vista afetivo. Novamente, a influência da religião... "e as/os namoradinhas/os?", "vai casar na nossa igreja, né?", "vai batizar?", "fez catecismo/crisma?", "tem que ter véu e grinalda"... quantas frases destas não ouvimos incessantemente de nossos familiares?... Daí vem o susto: "Não pretendo casar", "não pretendo ter filhos", "sim, estou namorando, e não é um homem/mulher.", "não me vejo como homem/ não me vejo como mulher, peço respeito o gênero no qual me vejo.", "não fiz e não obrigarei meus filhos a fazer (crisma/catecismo...)".,, e por aí vai, os vários sustos por dia.

Do ponto de vista econômico. "Já comprou carro, casa, eletrodomésticos, roupas, sapatos?..." "já tem? Já alugou? Já financiou? o que pretende com seu salário? quanto ganha?", "quanto quer ganhar?", "vai trabalhar com o que?"... NÃO SEI. Sim, estamos num SISTEMA CAPITALISTA que não dá opções sólidas para NINGUÉM que não faça parte dos enriquecidos do mundo. E todo o resto, nós “mais ou menos” pobres e medias classes, estamos perdidos financeiramente, pensando em várias saídas e possibilidades de trabalho e sobrevivência que nos agrade minimamente. Num modo de produção e trabalho que prega cada vez mais o "empreendedorismo", e talentos individuais sem os quais você "não é merecedor de prosperidade", se não tem. Adoecendo parte da geração desempregada (e da empregada em empregos inseguros e incertos) na lógica bizarra do mérito e do status. 

Somos jovens que simplesmente estão "tocando a vida", e parte deles, lutando por direitos. Porque de fato, o sistema fecha o cerco e não temos segurança de mais nada - ainda mais com uma reforma trabalhista, com leis cada vez mais feitas para ricos, com a flexibilização de trabalho e empregos precários que tomam conta de nossas vidas, perda de espaço, cultura, lazer, direitos sociais e o cansaço infinito de uma busca constante... "Sorte" dos que conseguiram se consolidar em alguma área trabalhista até aqui. Do mais, nossa resposta é N-Ã-O-S-E-I. Porque nem sabemos se empregos teremos, independente da formação educacional (esta sim, creio que grande maioria quer ter a oportunidade de ter - sonho que também vemos de desvalorizar ou se arruinar diante nossos olhos, seja pelo custo, seja pela qualidade, seja pela falta de tempo).

Mas queremos ter o que? LIBERDADE para mudar e desmudar de ideia, quantas vezes forem necessárias e desejadas. Entendam isso, caras gerações dos 40, 50, 60, 70, 80 anos... porque não queremos "qualquer coisa que dê dinheiro", queremos também e cada vez mais sermos FELIZES no que fazemos, no que somos e fazer algo pelo mundo, se possível. Não queremos ADOECER na amargura de não tentar ser o que se é e em função de empregos ruins, alguns que só dão dinheiro, mas não dão mais nada, outros que não dão nem isso. Ou naqueles que saímos cheios de problemas psicológicos e físicos que nos perseguirão para sempre.. Vidas mornas, tristes, rancorosas. Isso é "mimimi?" chamem do que quiser. Cada um sabe a dor que traz dentro de si e o que faz ou não, feliz. Afinal, estamos para que nesta terra?

Se ensinaram a vocês que o sentido da vida era SOFRER, sabemos hoje que isso não deu certo, pois vemos tantos de vocês (e de nós) com problemas profundos - físicos, psicológicos e emocionais - provenientes de "vidas duras e sofridas" que passaram, que reverberaram em nós e as quais sabemos o quão mal podem fazer e traumas podem deixar. 

E que nos magoam porque também carregamos isso conosco, que não queríamos que vocês tivessem passado. Sabemos, para muitos de vocês foram necessários esforços descomunais para que pudessem existir e nós também. É errado não quer sofrer? Ninguém merece uma vida sem sentido e vontade de viver. Nem nós merecemos e nem vocês mereciam, passar por isso.

E no fundo, por mais que discordemos em tantos pontos, vos admiramos muito, familiares mais velhos que sofreram, mesmo que acabemos por nos afastar pelas grandes diferenças que possamos ter.

Mas essa geração veio para dizer que é exatamente ISSO que relatei até aqui, que não queremos para nós. O mesmo grau de sofrimento - que não nego, podem sim trazer coisas boas no sentido de construção de personalidade, caráter e grandes aprendizados de vida - mas também podem trazer uma bagagem profunda de traumas, medos e pesos que custam carregar, né? E que por vezes causam erros grandiosos. Os quais não queremos reproduzir, que não queremos para nós, pois tudo isso limita nossa vida, nossa paz e nossa LIBERDADE.

É, eu entendo vocês, família "à moda antiga". Parece um pesadelo lidar com este "novo mundo", com a tal da LIBERDADE. Mas por que? Afinal, por que tanto vos afeta a orientação e opção de vida de seus filhos, netos, sobrinhos, quanto ao que escolhe para si, não ser o mesmo escolhido por vocês até aqui? Por que as mudanças das novas gerações afetam e geram tantos medos, cobranças e rejeições quanto ao "mundo novo" que visualizamos, lutamos e trazemos?

Não tenho todas essas respostas, mas talvez vocês encontrem dentro de vocês, se buscarem as crianças e jovens cheios de sonhos pela vida, vontades de conhecer e liberdade de ser, que um dia foram (ou que talvez ainda sejam). Daí talvez entenderão o quanto deixaram pra trás, mesmo que não seja culpa de vocês. Fizeram o possível dentro de suas possibilidades. Mas se não conseguiram fazer mais antes, nos dê o direito e a tranquilidade necessária, para podermos fazê-lo.

Afinal, há muito o que ser feito neste, por este mundo e por todos nós.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

De um dia histórico

 
    Assembléia Unificada - UNICAMP. 
    1981 - 2019
    Em defesa da Ciência e da Educação.
    #15outubro 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

domingo, 23 de junho de 2019


Soneto 18

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

(William Shakespeare)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Caros eleitores do Bolsofake



CAROS ELEITORES DE BOLSONARO

Tenho 03 verdades para dizer pra vocês,
apesar de saber que geralmente vocês não são dados à leitura:

1. VOCÊS NÃO SÃO A MAIORIA

Mais de 89 MILHÕES de brasileiros NÃO votaram em Bolsonaro,
o qual recebeu apenas 57 milhões de votos.

E, não, não existem 89 milhões de petistas no Brasil.

Não é porque a pessoa não votou em Bolsonaro
que ela é petista ou adora o Lula.

Existem 73 partidos políticos no Brasil,
e apenas 15 milhões de pessoas são filiadas a partidos políticos,
dos quais o PT conta com apenas 2 milhões de filiados.
Então aceite: ao menos 87 milhões de pessoas NÃO votaram em Bolsonaro
e não são do PT.

2. TODO PRESIDENTE RECEBE CRÍTICAS

Fernando Collor recebeu críticas e várias manifestações foram feitas até ele receber o Impeachment.

FHC também sofreu duras críticas e também quiseram tirá-lo do poder.

Lula, mesmo no ápice de sua popularidade, sofreu críticas e quiseram tirá-lo do poder.

Dilma foi criticada do início ao fim de seu governo, e as maiores manifestações da história deste país foram feitas até ela ser retirada do poder.

Temer, então, ouviu Fora Temer até sair do poder.

Então por que raios vocês não querem aceitar críticas ao Bolsonaro?
Ele é algum Deus?

Ele será criticado sempre que fizer coisas ruins para a população, sim, enquanto houver democracia e pessoas de bom senso neste país.

Aceitem que dói menos.

3. POLÍTICA NÃO É CAMPEONATO DE FUTEBOL

Parem com esse mimimi de que tem gente torcendo contra.
Não existe essa história de que há pessoas torcendo pra dar errado.
Ninguém quer ver o Brasil afundando.

Tenham maturidade política para cobrar uma boa gestão do Presidente que ajudaram a eleger.
Se ele acertar, aplaudam.
Se errar, critiquem.
Se fizer algo inaceitável, retirem ele do poder.

Na primeira semana, Bolsonaro nomeou 9 ministros investigados por corrupção, 01 dos quais é réu confesso e ele nomeou como Chefe da Casa Civil;

Nesta mesma semana ele decretou censura ao COAF para que o departamento não divulgue mais nada a respeito do caso Queiroz, numa atitude descarada para encobrir o escândalo de corrupção envolvendo sua família;

Para completar, aliou-se a Rodrigo Maia (DEM), que está atolado em escândalos de corrupção, e o indicou para Presidência da Câmara dos Deputados.

Enquanto isso, deu reajuste menor do que o previsto para o salário mínimo, extinguiu o Ministério da Cultura e o Ministério do Trabalho, e já anunciou que vai extinguir a Justiça do Trabalho também, porque segundo ele é muito difícil ser patrão neste país, e o brasileiro tem que optar entre ter direitos ou ter emprego.

Por fim, entregou a chave do galinheiro às raposas: agora o Ministério da Agricultura é que demarcará as reservas indígenas, o que certamente fará aumentar o desmatamento em nosso país.

Ou seja, não é cedo para criticar: em 01 semana Bolsonaro já causou o retrocesso de décadas.

Portanto, entendam:
Bolsonaro não é um santo. Vocês não estão numa igreja.
Comportem-se como eleitores conscientes,
não como fanáticos alienados.
E, por favor, mantenham boa educação.
Não envergonhem as mães de vocês.

(Augusto Branco)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

ZAYN - Dusk Till Dawn ft. Sia (Official Music Video)



Can you feel where the wind is?
Can you feel it through
All of the windows
Inside this room?

sábado, 24 de novembro de 2018

HISTEDBR nas (tristes) eleições


NOTA SOBRE A ATUAL CONJUNTURA ELEITORAL


Nesta conjuntura de profunda crise política o Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil” (HISTEDBR), considerando a disputa no segundo turno das eleições presidenciais, vem manifestar-se resolutamente contra a candidatura que representa a barbárie, a ditadura, a tortura, o racismo, a homofobia, a perda do controle das riquezas nacionais, a perda de direitos trabalhistas e de cidadania. Diante da polarização das duas candidaturas é preciso aprofundar o debate sobre os projetos políticos para o país, apoiando a civilização contra a barbárie; a liberdade democrática e o respeito aos direitos humanos contra a ditadura, a tortura e o fascismo. Nessa direção somente a vitória de Haddad pode assegurar o retorno de políticas sociais para os que vivem do trabalho e a garantia de educação para todos e de políticas públicas para o desenvolvimento científico e tecnológico com a preservação de nossas riquezas e da soberania nacional.


Dermeval Saviani

José Claudinei Lombardi

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A violência contra mulher na Lei 11340/2006



LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006.

Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências.



CAPÍTULO II - DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER

Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Que justiça...?



São Paulo – Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.





terça-feira, 26 de junho de 2018

Sobre a Teoria do Capital Humano (TCH)

"Por isso que a teoria do "capital humano" não consegue responder à questão: os países subdesenvolvidos e os indivíduos pobres e de baixa renda assim o são porque têm pouca escolaridade ou têm pouca escolaridade porque são subdesenvolvidos e pobres? Somente uma análise histórica da escravidão, do colonialismo e do imperialismo, por um lado, nos evidenciaria que os países que têm menos escolaridade são aqueles que foram submetidos a um ou a todos estes processos. Por outro lado, quando examinamos quem, no Brasil, por exemplo, é analfabeto ou não atingiu mais que quatro anos de escolaridade, vemos que é a grande massa de trabalhadores de baixa renda.

Daí que uma análise histórica nos permite afirmar exatamente ao contrário da ‘teoria do capital humano’: a baixa escolaridade nos países pobres deve-se a um reiterado processo histórico de colonização, relações imperialistas e de dependência mantidas por uma aliança de classe entre os países centro-hegemônicos do capital e da periferia. E o acesso desigual e a um conhecimento desigual para os filhos da classe trabalhadora, igualmente, deve-se a uma desigualdade estrutural de renda e de condição de classe"

(Frigotto, 2009)



domingo, 24 de junho de 2018

Marx & Engels


"As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes, ou seja, a classe que é o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios para a produção material dispõe assim, ao mesmo tempo, dos meios para a produção espiritual, pelo que lhe estão assim, ao mesmo tempo, submetidas em média às ideias daqueles a quem faltam os meios de produção espiritual. As ideias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações materiais dominantes, as relações materiais dominantes concebidas como ideias; portanto, das relações que precisamente tornam dominante uma classe, portanto as ideias do seu domínio. Os indivíduos que constituem a classe dominante também têm, entre outras coisas, consciência, e daí que pensem; na medida, portanto, em que dominam como classe e determinam todo o conteúdo de uma época histórica, é evidente que o fazem em todas a sua extensão, e portanto, entre outras coisas, dominam também como pensadores, como produtores de ideias, regulam a produção e a distribuição de ideias do seu tempo; que, portanto, as suas ideias são  as ideias dominantes da época". (p.56)


- A Ideologia Alemã - Marx & Engels

domingo, 3 de junho de 2018

Psicanálise...

"Mas como você se sente sobre isso? - perguntou o psicanalista ao seu paciente. Talvez ele não saiba, ainda, responder.

Angústia sem nome, mas tão sem nome que pode ser chamar pânico? Tão comum nos dias de hoje. Mas o que pensar sobre?
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Embora o ataque de pânico costume durar alguns minutos, para quem o sente parece uma eternidade. Além das manifestações físicas de alerta, como sensação de sufocação, tontura, sudorese, tremores e taquicardia, enjoos, os pacientes com transtornos de pânico geralmente têm a sensação de morte.
Um paciente que vive o pânico acaba vivendo uma constante ansiedade derivada da preocupação sobre quando e onde o próximo ataque irá ocorrer.
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Os ataques podem aparecer sem desencadeantes ambientais ou intrapsíquicos aparentes, contudo, em análise se pode levar o paciente a uma maior reflexão e percepção sobre sua angústia. Expectativas demais? Sentimento de desamparo? Perdas? Todos são relatos comuns quando se trata do assunto.
Muitas das perdas citadas ainda podem ser associadas a experiências da infância, nas quais o vínculo com um dos pais é vivido como ameaçador ou crítico. São vividas então dificuldades em se sentir seguro, "amparado". Uma separação materna precoce ou vivências de privação são também relatos comuns desses pacientes.
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Sentem dificuldades em sentir e viver alguns sentimentos como a raiva, temendo destruir o que tenta se construir. Lidar com a dependência/independência é algo complicado, afinal suas bases não costumam ser tão seguras. E como dói perceber isso!
Talvez seja mais fácil para o paciente lidar com o adoecimento recorrente, seja pela angústia ou somatizações constantes, do que com as percepções da própria vida.
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Por isso o trabalho da psicanálise busca estar ali com o paciente para que ele possa viver suas angústias."

quarta-feira, 2 de maio de 2018

1º de maio.


"Meus amigos, minhas amigas, o Brasil vive esse 1º de Maio com tristeza mas esperança.

É com tristeza que vivemos um momento onde a nossa democracia está incompleta, com um presidente que não foi eleito pelo povo no poder. O desemprego cresce e humilha o pai de família e a dona de casa. Em uma força de trabalho superior a 100 milhões de pessoas, apenas 33 milhões têm carteira assinada, o número mais baixo em 6 anos.

Uma multidão de mais de 13 milhões está desempregada e outros tantos milhões em subempregos ou na informalidade. O país sofreu com a reforma do governo Temer o mais duro golpe nos direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo do século XX.

É com tristeza que vemos a economia patinar, conquistas democráticas serem revogadas e a maioria da população fazendo sacrifícios diariamente. O direito ao trabalho, a proteção da lei, ao estudo, ao lazer tem sido cada vez mais restritos.

A mesa já não é farta, e até para cozinhar o pouco que tem muitas famílias catam lenha porque não podem mais pagar o bujão de gás. Crianças e jovens perdem o futuro que lhes garantimos e a porta de acesso ao ensino superior que tiveram nos governos nos quais servimos em benefício daqueles que mais precisavam.

Vocês se lembram da prosperidade do Brasil naqueles tempos. Quando o Brasil ia bem e parte da imprensa reclamava o tempo inteiro. Agora o Brasil vai mal e os mesmos falam em “retomada da economia”. A sabedoria popular contra essa propaganda massiva, em especial das Organizações Globo, que controlam a maior parte das comunicações desse país, revela-se nas pesquisas, onde o povo mostra que sabe o caminho para voltar a ter um Brasil melhor, com mais inclusão social, democracia e felicidade.

Um Brasil onde os trabalhadores tenham direito a ter direitos. Onde os trabalhadores possam ter uma vida digna. Onde as crianças possam ter uma boa educação. Onde nenhum menino ou menina passe fome ou fique pedindo esmola em um farol. Onde o filho do pedreiro possa fazer uma faculdade e virar doutor. Um país do qual possamos ter orgulho.

Sabemos que esse Brasil é possível. Mais do que isso, já vivemos nesse Brasil há muito pouco tempo atrás.

Por isso a esperança! A esperança que retomamos neste 1º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade.

Viva o Dia dos Trabalhadores! Viva os trabalhadores brasileiros! Viva o Brasil!"


Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 1º de maio de 2018.

http://www.pt.org.br/mensagem-de-lula-ao-povo-brasileiro-no-dia-do-trabalhador/

domingo, 22 de abril de 2018

Salve meu país

Um Golpe nacional, uma sigla culpabilizada.
muitos retrocessos.

Uma vereadora de esquerda, negra e favelada assassinada.
muita tristeza.

Um ex-presidente popular preso sem provas.
muita guerra.

A violência do imperialismo no oriente médio (e no mundo),
muita destruição e medo.

Um povo em desespero, desemprego, fome, desabrigo, sede.
muita dor.

Para sempre.. muita Luta.


Para os dias de felicidade e tristeza, Ludovico.


domingo, 15 de abril de 2018

Conversa com os orixás


‘Fui convidado a uma festa com todos os orixás, mas apenas podia me dirigir a eles uma vez e com uma única pergunta. Assim o fiz.

A Exu perguntei: Como movimentar a vida quando tudo se encontra cristalizado?
Exu respondeu: Produzindo inversões nos padrões que estão estabelecidos.

A Ogum perguntei: Como abrir meus caminhos quando eles se encontram fechados?
Ogum respondeu: Com a coragem do guerreiro que nunca se dá por vencido.

A Oxossi perguntei: Como distribuir fartura para aqueles que amo?
Oxossi respondeu: Ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar.

A Omolu perguntei: Como curar os outros, mesmo estando ferido?
Omolu respondeu: Aprendendo que a dor dos outros não é menor que a sua. Nenhuma dor deve ser desprezada. Abra mão de seu ego e será capaz de se curar, curando.

A Oxumarê perguntei: Como ser capaz de se regenerar de tempos em tempos como a serpente?
Oxumarê respondeu: Deixando morrer a pele que já não te serve mais. Enquanto você insistir em habitar uma pele morta, sua vida não poderá ser regenerada.

A Ossain perguntei: Por que a verdadeira magia está na simplicidade das ervas?
Ossain respondeu: Porque só através de muito esforço conseguimos ser simples como a natureza!

A Nanã perguntei: Como cuidar da minha ancestralidade?
Nanã respondeu: Tendo a consciência que um dia você também será um ancestral. Cuide de seus ancestrais como você gostaria que seus descendentes cuidassem de você.

A Oxum perguntei: Como encontrar o amor verdadeiro?
Oxum simplesmente disse: Olhando sempre para o espelho.

A Iansã perguntei: Como ser livre e independente como o vento?
Iansã respondeu: Sabendo reconhecer aquilo que te aprisiona. Se você não souber o que te prende, jamais será capaz de fluir como o vento.

A Xangô perguntei: Como aprender a ser justo?
Xangô respondeu: Sabendo ouvir a todos e desprender-se do ego.

A Obá perguntei: Como perseverar enquanto tudo desmorona?
Obá respondeu: Mantendo o amor intocável dentro de si mesmo.

A iyewa perguntei: Como ter visão espiritual?
Iyewa respondeu: Conectando-se profundamente aos ciclos naturais e às energias universais.

A Logun-Edé perguntei: Como ser flexível?
Logun respondeu: Tendo capacidade de se adaptar a qualquer ambiente.

A Iemanjá perguntei: Como encontrar harmonia e paz na família?
Iemanjá respondeu: Sendo você mesmo a paz que deseja.

A Oxalá perguntei: Como semear a paz em meio à guerra?
Oxalá respondeu: Ouvindo tudo que você ouviu até aqui e aplicando em sua vida...’

terça-feira, 20 de março de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

sábado, 23 de dezembro de 2017

Hoje, 15 dias depois..

Só quero agradecer por ter voado para mais longe de casa e para mais perto de mim. 



Obrigada Deus, obrigada família, obrigada amigos, obrigada universo.